sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Haverá casamentos no céu? Reconheceremos nossos parentes e amigos?

É até engraçado, mas um fato que às vezes incomoda alguns casais cristãos é o de que não haverá casamentos no céu. Sabemos disso porque o próprio Senhor Jesus, respondendo a alguns saduceus, disse: “mas os que são julgados dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem se dão em casamento” (Lucas 20:35).



E por que isso? A resposta vem no versículo seguinte: “porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”. Muitos prestam atenção à parte que diz que seremos iguais aos anjos, mas eu particularmente entendo que mais importante é o que é dito antes: “porque já não podem mais morrer”...

Note que  o casamento foi criado por Deus para que homens e mulheres (que são obviamente mortais) suscitassem descendência, não vindo assim a espécie humana a se extinguir. Ora, se no mundo futuro seremos imortais, então a procriação se torna desnecessária. Melhor do que discutir o “sexo dos anjos” é analisarmos o por quê de nós, “futuros ex-humanos” , não precisarmos mais nos relacionar uns com os outros como na vida presente.

Entretanto, nem tudo é tão “dramático”: se por um lado o Evangelho deixa claro que não nos casaremos no céu, por outro, temos bons motivos para crer que ao menos ainda nos reconheceremos. Na própria narrativa que estamos examinando (Lucas 20: 27-40), Jesus diz: “mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moisés o mostrou, na passagem a respeito da sarça, quando chama ao Senhor; Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó. Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem” (vv 37,38).

Além deste, vários outros trechos do Novo Testamento nos dão a entender que, mesmo indo aos céus, as pessoas não perdem a identidade que possuíam na Terra. Por exemplo: “e eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias” (Mateus 17:3,4). Moisés e Elias, aparentemente, não sublimaram à condição de “seres angelicais irreconhecíveis”...

Temos ainda a parábola do rico e do Lázaro (Lucas 16:19-31), na qual podemos ler: “e no inferno, [o rico] ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio” (Lucas 16:23). Também ali, notamos que, apesar de um ter indo ao inferno e o outro ao paraíso, ambos se reconheceram, e Abraão continuava a ser Abraão.

Assim sendo, tudo nos leva a crer que no céu, apesar de recebermos um corpo glorificado,  ainda conseguiremos reconhecer uns aos outros. Lá não haverá casamentos, porém, as pessoas que se amaram aqui na Terra, por certo um dia se reencontrarão...  

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Deus é mau por que permite o sofrimento?

Muitos questionam: “por que Deus permite o sofrimento?” Eu, porém, pergunto: e por qual motivo Ele não permitiria? Alguns pensam que Deus é mau por consentir que as pessoas sofram, mas ignoram que o sofrimento é uma lei da vida. Sofrer é desagradável, no entanto, nos amadurece, ensina-nos a compreender a dor do outro, produz auto-conhecimento, quebrantamento de coração, paciência, enfim, transforma-nos em seres humanos melhores. O sofrimento é uma lei da existência, uma verdadeira escola da vida.


Salomão escreveu que “o coração alegre aformoseia o rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate” (Provérbios 15:13). Entretanto, Eclesiastes 7:3 nos diz que “melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”. Harmonizando os dois pensamentos, temos algo como: “o coração alegre aformoseia o rosto [porém] com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”. Isto significa dizer que a alegria deixa a pessoa mais bonita por fora, mas é a tristeza que a torna mais bela por dentro.

O maior exemplo bíblico de fidelidade a Deus em meio ao sofrimento talvez seja o de Jó. Homem justo e muito próspero, de um momento para outro viu-se totalmente arruinado. Depois de satanás o haver ferido de úlceras da cabeça aos pés, ao ponto de Jó raspar as suas feridas com um pedaço de telha assentado sobre as cinzas, quando sua esposa chegou a ele para aconselhá-lo a amaldiçoar a Deus e morrer, sua única resposta foi: “como fala qualquer louca, assim falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10). Jó não acusou Deus de crueldade quando o dia mau chegou em sua vida.

Em Jeremias 18, lemos que o Senhor mandou o profeta ir até a casa do oleiro. Chegando lá, ele viu o artífice trabalhando em sua obra, quando de repente o vaso de barro se quebrou em suas mãos e ele moldou um vaso novo, conforme lhe pareceu melhor. Nós algumas vezes “quebramos” nas mãos de Deus e Ele nos projeta novamente, de acordo com a sua santa, perfeita e agradável vontade. É claro que o processo traz um pouco de dor, mas depois saímos do “forno” mais fortes, resistentes e mais úteis para a sua Obra.

Enfim, o próprio Senhor Jesus disse: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Isto não é senão a maior declaração de que: (1) o sofrimento é parte inafastável da nossa existência nesta Terra, mas que (2) se seguirmos a Cristo, Ele, que venceu primeiro, nos ajudará a vencer também todas as adversidades desta vida. Deus não é mau por permitir o sofrimento humano, pois Ele não sente nenhum prazer em contemplar a nossa dor. Todavia, Deus permite que soframos para que o sofrimento produza em nós aperfeiçoamentos que não seriam possíveis de nenhum outro modo.
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Corretor automático de expressões evangélicas

Não sou “da igreja A ou B”: sou de Jesus, porque foi Ele quem morreu por mim na cruz.

Não sirvo a Deus “neste” caminho santo: sirvo a Deus através do Caminho Santo que é Jesus.

Não nasci “nesta graça”: a Graça de Deus é que nasceu em mim quando me converti a Cristo.

Não vou à igreja para saber o meu futuro: pregador não é cartomante.

Não me batizei porque “senti”: batizei porque eu cri no Evangelho.

Não tenho “crédito” com Deus: se eu fizer tudo o que Ele mandar, ainda ficarei devendo.

Não vou ao culto para receber algo de Deus: vou para dar algo de mim a Deus.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O que podemos aprender com a filha de Jairo e a mulher hemorrágica

12 anos de alegria, uma súbita desgraça; 12 anos de sofrimento, um repentino milagre.

Uma vivera 12 anos sem grandes percalços, quando repentinamente fora acometida por uma  fatalidade que a levara à morte.



A outra sofrera  por 12 anos com uma enfermidade que não era capaz de matá-la, porém trazia a ela grande tristeza e vergonha.

Uma nada podia fazer em seu benefício, precisava que alguém agisse por ela.

A outra precisou fazer o esforço de procurar o Mestre e abrir espaço entre a multidão, até conseguir tocar nas Suas vestes.

Jesus resolveu os problemas de ambas: tanto não foi difícil para Ele ressuscitar a que fora saudável por 12 anos e subitamente morrera, quanto foi fácil curar a pobre mulher que padecera enferma por 12 longos anos.

Existem pessoas que passam por provações prolongadas, enquanto outras sofrem algum duro e repentino tormento. Umas precisam que alguém seja o seu “bom samaritano”, fazendo algo em seu favor, enquanto outras necessitam, elas mesmas, correrem atrás da libertação.

Todavia, o mesmo Jesus que soube dar a solução para a desfalecida filha de Jairo e para aquela mulher hemorrágica, continua sabendo como operar o milagre certo na vida de cada um de nós. Basta termos fé e não duvidarmos.

(Baseado em Marcos 5:21-43)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Será que idolatria é somente adorar imagens?















Os ídolos de alguns são de prata e ouro, mas os de outros são de carne e osso. Os que não adoram imagens, adoram homens. Os que não se ajoelham diante de estátuas, curvam-se perante lobos. Uns creem na infalibilidade papal, outros na inerrância dos ensinos de seus pregadores. Pobre geração, que defende placas de igrejas, teologias e doutrinas humanas, mas despreza a leitura do Evangelho e sua prática!
 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Porque “Essa gente incômoda” não me incomodou nem um pouco

Raras vezes eu me disponho a escrever sobre algum tema que esteja repercutindo na mídia pelo simples fato de que, se há muita gente falando sobre um determinado assunto, eu automaticamente suponho que a maioria das grandes considerações que haveriam de ser feitas a seu respeito, senão todas, já foram formuladas e, portanto, não devo eu ser mais um a meramente reproduzir as opiniões já conhecidas do público em geral.

















Até ontem, cria eu ser este o caso do artigo “Essa gente incômoda”, de J. R. Guzzo, o qual tem causado indignação nos evangélicos: cantores, políticos e pastores já manifestaram repúdio. Contudo, após ler e reler atentamente a nominada publicação e de não encontrar nela qualquer motivo para queixas contra o jornalista de Veja, resolvi “dar um Google” e, para meu espanto, vi que quase ninguém mais havia tido a mesma impressão que eu acerca do texto.

Eis então meu singelo ponto de vista: faltou interpretação. A crítica do autor, conquanto sofisticada, foi  dirigida às supostas “elites pensantes” brasileiras, as quais, estas sim, consideram os evangélicos uma “gente incômoda”. A ironia refinada e o sarcasmo picante de Guzzo, infelizmente, serviram menos para mostrar que o povo evangélico não é nada aquilo que as más línguas o acusam de ser do que para denunciar o ódio que os ricos e intelectuais de esquerda sentem pelo brasileiro pobre, “moreno”, conservador e... crente!

O texto começa perguntando, de maneira retórica, “quem é contra a liberdade de religião no Brasil?”, para então responder: “mais gente do que você pensa, com toda a certeza, embora quase ninguém vá dizer isso em público, é claro”. A partir daí, o jornalista denuncia a antipatia generalizada da grande mídia e da maioria dos formadores de opinião pelos evangélicos causada pelo fato de estes, grosso modo, longe de fazerem do “apoio às diversidades” sua maior virtude, costumam ser  pessoas normais: trabalham, estudam e defenderem a família.

Examinando o contexto, todo mal-entendido é desfeito: “se você defende a ‘arte incômoda’, digamos, tem de estar preparado para conviver com a ‘religião incômoda’. Em todo caso (...) é bom saber que os evangélicos, muito provavelmente, são um problema sem solução”. Ou seja: os que defendem os abusos cometidos em nome da “arte incômoda” terão de suportar a inconformação dos defensores dos princípios éticos e morais de sua religião, uma “religião incômoda” para aqueles. A diferença é que a arte depravada tem como ser eliminada, já os evangélicos não.  

Assim sendo, não faço objeção alguma ao artigo em apreço, porém, deixo um pequeno conselho aos nossos queridos irmãos: precisamos ter certeza de que compreendemos um texto antes de criticá-lo. O crente só se torna realmente um incômodo quando ele interpreta mal o que lê, seja um texto jornalístico, um artigo científico ou a própria Bíblia. Não transformemos em inimigos aqueles que, em outras frentes de batalha, estão apenas lutando ao nosso lado. “Quem não é contra nós, é por nós” (Marcos 9:40). 

SE AINDA NÃO CONHECE O TEXTO QUE GEROU A POLÊMICA, LEIA-O AQUI

Essa gente incômoda

J. R. Guzzo em Veja





Quem é contra a liberdade de religião no Brasil? Mais gente do que você pensa, com toda a certeza, embora quase ninguém vá dizer isso em público, é claro — provavelmente não dirá nem mesmo no anonimato de uma pesquisa de opinião. Mas é preciso ser realmente muito bobo, ou muito hipócrita, para achar que está tudo em ordem com a liberdade religiosa no Brasil quando as nossas classes mais altas, que também se consideram as mais civilizadas, sentem tanto desprezo, irritação e antipatia pela religião que mais cresce no país. Trata-se da “fé evangélica”, como se chama, para simplificar, a vasta constelação de igrejas, seitas e cultos de origem protestante que nas estatísticas já reúnem um terço da população brasileira — e na vida real podem estar além disso. Esse povo, em grande parte do “tipo moreno”, ou “brasileiro”, vem sendo visto com horror crescente pela gente bem do Brasil. Sabe-se quem são: os mais ricos, mais instruídos, mais viajados, mais capacitados a discutir política, cultura e temas nacionais. São geralmente descritos como esclarecidos, liberais, intelectuais, modernos, politizados, sofisticados e portadores de diversas outras virtudes. Toda a esquerda nacional, por definição, está aí dentro. Também estão todos os que são de direita ou de centro — desde que não se misturem com o povo brasileiro.

Nada é tão fácil de perceber quanto um preconceito que se pretende bem disfarçado. Os meios de comunicação, por exemplo, raramente conseguem escrever ou dizer a palavra “evangélico” sem colocar por perto alguma coisa que signifique “ameaça”, “medo” ou “perigo”. Fala-­se de maneira quase sempre alarmante da “bancada evangélica” na Câmara dos Deputados — como se os parlamentares ligados às igrejas formassem um corpo estranho, infiltrados ali por alguma conspiração não explicada. São tratados como uma coisa só — e ruim. Fala-se do “risco” de aumento da bancada evangélica nas próximas eleições. Há um escândalo permanente no Brasil de “primeiro mundo” diante de suas posições em matéria de família, sexo, crime, polícia, drogas, educação, moral, propriedade privada e mais umas trezentas outras coisas. Os evangélicos são vistos ali como retrógrados, reacionários, repressores, fascistas e inimigos da democracia. Já foram condenados como machistas, homofóbicos e fanáticos. Defendem a “cura gay”. São a “extrema direita”. Estão definitivamente fora do “campo progressista”.

Naturalmente, argumenta-se que essa condenação universal não tem nada a ver com religião; se os evangélicos pensassem o contrário do que pensam em cada uma das questões aqui citadas, por exemplo, não haveria nenhuma objeção e a população estaria liberada pelas classes intelectuais para rezar nas Assembleias de Deus, na Catedral da Bênção ou nas Igrejas do Evangelho Quadrangular. Ou seja: o problema dos evangélicos está nas suas convicções como cidadãos. No fundo, é a mesma história de sempre. O que atrapalha o Brasil, na visão das pessoas que se consideram capacitadas a pensar, são os brasileiros. O povo brasileiro, de fato, é muitas vezes inconveniente — principalmente quando vota. Os intelectuais, preocupados, lamentam o crescimento da bancada evangélica — mas raramente se lembram de que ela só cresce porque cresce o número de eleitores evangélicos. Pode ser uma pena, mas toda essa massa de gente que vai ao templo é formada por brasileiros que têm direito de votar, votam em quem quiserem, e o seu voto, infelizmente para a sensibilidade da elite, vale tanto quanto o voto dos pais que colocam seus filhos no Colégio Santa Cruz.

Há muita indignação, também, com a escroqueria aberta, comprovada e impune que é praticada há anos em tantos cultos evangélicos espalhados pelo Brasil afora. É um problema real. Pastores, bispos e outros peixes graúdos tomam dinheiro dos fiéis, sob a forma de donativos, em troca de ofertas a que obviamente não podem atender: desaparecimento de dívidas, expulsão de demônios, cura de doenças, enriquecimento rápido, eliminação do alcoolismo, dependência de drogas e outros vícios — enfim, qualquer milagre que possa ser negociado. Diversas igrejas se transformaram em organizações milionárias, e muitos dos seus líderes são charlatães notórios — alguns deles, aliás, já chegaram a ser presos por delitos variados em viagens ao exterior. Estão acima do Código Penal e da Lei das Contravenções em matéria de fraude, trapaça e quaisquer outras formas de estelionato que seus advogados consigam descrever como atividade religiosa; não podem ser investigados ou processados por enganar o público, pois são protegidos pela liberdade de culto. São o joio no meio do trigo, e há tanto joio nas igrejas evangélicas que fica difícil, muitas vezes, achar o trigo.

Ninguém realmente sabe o que fazer de prático a respeito disso. É possível separar religião de vigarice? Possível, é — pensando bem, é perfeitamente possível. O impossível é escrever leis que resolvam o problema de maneira eficaz, racional e coerente com a democracia. Não se conhece nenhum regulamento capaz de distinguir donativos bons de donativos ruins — pois o foco da infecção está aí, no tráfego de dinheiro do bolso dos fiéis para o caixa das igrejas. Como proibir alguns e permitir outros, sem abrir uma discussão que vai durar até o dia do Juízo Final? Ao mesmo tempo, sabe-se quanto é inútil baixar decretos que obriguem as pessoas a ser espertas, da mesma forma que não dá para obrigá-las a ser felizes. O que fazer se o cidadão acredita que vai ficar rico, ou obter algum prodígio parecido, pagando o seu dízimo ao pastor? Os postes das cidades brasileiras também estão cobertos de cartazes com promessas de benefícios do tarô, dos búzios, da “amarração” garantida — isso para não falar da cura da calvície, do emagrecimento em sete dias e da eliminação de multas de trânsito. Na melhor das hipóteses, é propaganda 100% enganosa, mas fica assim mesmo — e talvez seja bom que fique, pois imagine-se o que acabaria saindo se nossos poderes públicos tentassem se meter nisso.

É um desapontamento, sem dúvida — e as cabeças corretas deste país ficam impacientes com a frustração de ver os cultos evangélicos crescendo, enquanto em Nova York e no resto do mundo bem-sucedido as pessoas vão a concertos de orquestras sinfônicas e não admitem a circulação de preconceitos. Não podem exigir que os evangélicos sejam proibidos de existir; secretamente, bem que gostariam que eles sumissem por conta própria, mas essa não é opção disponível na vida real. Fazer o quê? Propor, por exemplo, uma comissão de filósofos da OAB, CNBB e organizações de direitos humanos, nomeada pela Mesa do Senado Federal, para separar as religiões legítimas das ilegítimas? É duro, mas o fato é que, num momento em que apoiar a diversidade passou a ser a maior virtude que um cidadão pode ter, fica complicado sustentar que no caso dos evangélicos a diversidade não se aplica. Não há outro jeito. Se você defende a “arte incômoda”, digamos, tem de estar preparado para conviver com a “religião incômoda”. Em todo caso, para quem não gosta dessas realidades, é bom saber que os evangélicos, muito provavelmente, são um problema sem solução.

NOSSA OPINIÃO SOBRE ESTE TEXTO PODE SER LIDA AQUI

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Nem todo cego espiritual é cego de nascença...

Nem todo fariseu nasce fariseu, nem todo fanático nasce fanático, nem todo coração de pedra nasce desse jeito. Muitos nascem verdadeiros cristãos, porém vão se tornando hipócritas, legalistas e obstinados com o passar dos anos. Como disse Rui Barbosa, "de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".



De igual modo, de tanto ver o falso amor ser celebrado como virtude, de tanto assistir aos maus serem colocados em posições de destaque, de tanto ver o pobre ser humilhado e o rico exaltado, de tanto ver o rigor da doutrina ser aplicado aos desprezados e a misericórdia reservada aos influentes, o bom cristão, por vezes, acaba desanimando de pregar o verdadeiro evangelho, ri-se da indignação dos retos perante as injustiças e se envergonha da cruz de Cristo.

Muitos iniciam sua caminhada com Deus puros, íntegros, amorosos, dedicados ao próximo, mas o cinismo circundante, a atmosfera de bajulação aos “poderosos”, o medo de desagradar aos que podem lhe favorecer em algo e a subserviência ao aparato burocrático religioso que invalida os mandamentos de Deus, tudo isto, ao fim e ao cabo, acabam resultando num adoecimento espiritual profundo dos indivíduos.

Além disso, há um detalhe adicional a ser observado: quando percebemos que estamos reparando demais nos defeitos de alguém, devemos começar a olhar mais pra dentro de nós mesmos, pois, por falta de auto-vigilância, podemos acabar nos transformando naquilo que mais combatemos. Não basta ter visão espiritual hoje: é preciso morrer tendo visão. Nem todo cego espiritual é cego de nascença...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Como Jesus trataria hoje um adúltero e seus apedrejadores?

- Pecou!

- Tens certeza?

- Sim, foi apanhado no próprio ato.

- Tragam aqui o pecador. Vamos excluí-lo da Igreja.

- Aqui está.

- Tu, o que dizes? Tens algo a dizer em teu favor?

- Caí em pecado, reconheço hoje minhas misérias perante Deus! Sou pecador, e não há nada que eu possa fazer para mudar isto...

- Sendo assim, a partir de agora não tens mais comunhão com a Igreja. Sabes que não somos nós que estamos te condenando, pois é a própria Bíblia quem diz que “a alma que pecar esta morrerá”, e que “ao adúltero Deus o julgará”. Portanto, só Deus é que vai dizer, no último dia, se tu fostes perdoado ou não. Ninguém pode te impedir de entrar aqui, pois as portas ficam abertas, todavia, humilha-te e aceita o teu lugar. Quem sabe assim um dia Deus tenha misericórdia de ti.

















- A paz seja convosco!

- Quem és tu? Não fazes parte deste conselho, quem autorizou tua entrada?

- Ouvi muitas vezes o meu nome ser pronunciado em vão neste lugar, por isso entrei. Vi ainda um homem ser condenado por muitos sem que houvesse quem o defendesse, por isso vim saber com qual autoridade este tribunal sentencia uns à vida e outros à morte.

- Não estamos entendendo, conheces este pecador?

- Eu o conheço muito bem, assim como a cada um de vós. Porventura não está escrito que Deus tudo sabe e tudo vê? Como, portanto, poderíeis ocultar de mim os vossos próprios pecados enquanto julgais os pecados alheios? Não deveríeis primeiro tirar a trave dos vossos olhos para só depois tirar o cisco dos olhos dos outros?

- Quem é este rebelde que murmura contra os Servos de Deus?! Tirem-no daqui!

- De que serviria tirarem-me daqui, se não poderíeis tirar das vossas próprias consciências o peso das injustiças que cometeis contra o pobre, contra a viúva e contra o desprezado no meio do povo? Ou acaso pensais que Deus não vê que usais de misericórdia para com os vossos amigos, mas reservais o rigor da doutrina para aqueles que aborreceis?

- Mas este homem foi pego no próprio ato, adulterando! Não é correto, de acordo com a própria Palavra, que o afastemos da comunhão da Igreja? Porventura não feriu ele os mandamentos de Deus?

- E porventura não feris também vós o mandamento que foi dado àquela mulher apanhada em adultério, quando a ela foi dito: “vai, e não peques mais”? E porventura também na própria Palavra não encontrais escrito que “misericórdia quero, e não sacrifício”? E não lestes ainda que “a misericórdia prevalece no juízo”? Deveríeis, pois, usar as Escrituras para ensinar este homem, de modo que compreendesse a gravidade do seu erro. Deveríeis ainda admoestá-lo em amor a se arrepender do seu pecado, para que não viesse a morrer nele, e apenas depois disso o deixaríeis algum tempo só, para que o Espírito Santo trabalhasse em seu coração e o convertesse do seu mau caminho. Todavia, não é isto o que fazeis, mas tomais o lugar de Deus, julgando e condenando antecipadamente o pecador ao inferno, arrancando-lhe as esperanças e tirando-lhe as poucas forças que teria para caminhar. Ao invés de ampará-lo, o empurrais ainda mais rapidamente para o abismo, de sorte que vos tornais co-responsáveis pela morte de muitos e acumulais sobre vós pesado juízo.

Diante disto, um a um foram deixando o local, começando pelos mais velhos. Restaram ali somente um pecador arrependido acompanhado pela certeza do perdão divino.

Hoje tu és chamado de “pecador”, de “morto espiritual”, e és desprezado por aqueles que outrora te saudavam e batiam nas tuas costas. Hoje tu experimentas o gosto amargo da humilhação e percebes que o “amor” de muitos dos teus antigos “irmãos” era falso: eles só te amavam enquanto procedias como eles. Porquanto caístes, descobristes que não havia nenhum bom samaritano ao teu redor, somente religiosos sem misericórdia.

Contudo, se houver um desejo sincero no teu coração de te reconciliar com Deus, o Senhor fará desaparecer de diante de ti os teus acusadores e te dará uma nova oportunidade para servir a Ele na Terra. Somente entrega os teus caminhos ao Senhor e tenha coragem de voltar ao lar paternal, pois o Pai te receberá de braços abertos.

Talvez os teus “irmãos mais velhos”, que nunca saíram da casa do Pai, fiquem possessos por um ódio diabólico, disfarçado de “zelo pela casa do Senhor”, ao verem o teu retorno, mas o Pai fará uma festa em tua homenagem, te dará novas vestes e te honrará como o filho amado que tu sempre fostes.

sábado, 7 de outubro de 2017

A mensagem inspiradora que a vida de Ester nos transmite

Por Alceu Figueiredo

ESTER é uma história bastante conhecida e apreciada pelo povo de Deus, por isso muitos pais judeus e cristãos deram às suas filhas o bonito nome de Ester. Ester é seu nome Persa; seu nome hebraico é HADASSA. Ester significa “estrela”. Como uma estrela, ela brilhou para o povo de Deus na Pérsia, numa daquelas noites “escuras e cheias de trovoadas”.


Ficou mais conhecida como Ester por ter sido rainha desse império do passado, que foi a Pérsia, mas HADASSA era seu nome hebraico, cujo significado é “MURTA”. Um arbusto ou árvore comum em Israel e no Líbano que pode atingir até 9 metros de altura, sendo sempre verde e bastante ramalhuda. Produz cachos de flores brancas que ao amadurecer se tornam pequenas bagas azul-escuras. As bagas, embora aromáticas, são comestíveis.

Quando Zacarias teve a visão sobre os cavalos, vermelhos, baios e brancos, bem parecida com a visão do apocalipse, o anjo do Senhor estava entre as “murteiras” (Zc 1:8-11,16). A murta serviu ainda para cobrir as cabanas usadas temporariamente durante as festividades das barracas (Nee 8:14,15).

Mas é o profeta Isaías, no amoroso convite de salvação, que começa dizendo: “Vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Is 55:1-13).

Embora o texto fale de coisas comuns à sobrevivência do judeu [mel, vinho e pão], a mensagem é de cunho espiritual, visando a salvação que deve ser recebida como uma dádiva de Deus, sem dinheiro que possa pagá-la, sem o concurso de boas obras e esforços humanos (Ef 2:8,9). É a isto que chamamos de salvos pela graça: “favor que não merecemos”.

A conclusão no versículo 13 é Deus prometendo ao que vem até Ele que fará brotar, em lugar do espinheiro e da sarça, a MURTA, e será isto gloria para Jeová, e memorial eterno que jamais será extinto. Quantas vidas eram como espinheiro e como a sarça, que servem apenas para o fogo, mas Deus com sua graça transformou na “MURTA”, de folhas verdes e aroma que perfuma tudo ao redor.

Ester significa “estrela”, a estrela que brilhou na Pérsia em tempos de adversidade. A Palavra de Deus nos diz que “os que forem sábios resplandecerão como o esplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas sempre e eternamente” (Dn 12:3).

Olhando para o nome hebraico dessa judia, HADASSA, e crendo no mesmo Deus, floresceremos como a MURTA em meio aos espinheiros, exalando o bom perfume de Cristo. Ester é lembrança que revigora. Memorial de livramento.

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*Este post é uma adaptação de um texto de Alceu Figueiredo que pode ser lido na íntegra aqui.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A mulher precisa usar véu?



Augustus Nicodemus Lopes precisou de apenas 1 minuto e meio para explicar algo que muitos estão há mais de 100 anos sem conseguir entender: véu é apenas costume, e não doutrina. O seu uso é facultativo, pois não interfere na salvação. Algumas igrejas evangélicas adotaram o véu, e não há nada de errado nisso, desde que não se atribua um peso de "mandamento divino" a ele.